Ciência

País tem meta climática

Posted on 14/10/2009. Filed under: Ciência | Tags: |

Lula fala em redução de 80% no desmatamento; Minc quer congelar emissão de CO2

Roberta Jansen e Catarina Alencastro

RIO e BRASÍLIA

O governo brasileiro pretende assumir o compromisso externo de reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia até 2020, evitando a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de CO2, o principal gás do efeito estufa. Com o cumprimento do plano interno, o país estabilizaria as emissões em relação aos valores de 2005 – uma contribuição significativa no combate ao aquecimento.

A meta foi anunciada ontem por Luiz Inácio Lula da Silva, em seu programa de rádio Café com o presidente, e faz parte da proposta que o Brasil pretende levar à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a ser realizada em dezembro, em Copenhague, onde os 192 países membros buscarão um novo acordo para substituir o Protocolo de
Kioto, que expira em 2012.

O número citado por Lula respalda a proposta do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para a reunião da ONU, que  será apresentada oficialmente hoje ao presidente e à qual O GLOBO teve acesso.

A proposta do MMA, ainda a ser aprovada em sua integridade, prevê também metas mais ousadas –  na qual o Brasil estabilizaria suas emissões de 2020 em valores de 1994, com a redução do desmatamento também em outros biomas, a ampliação do uso de biocombustível e um maior investimento em hidroelétricas. Em ambos os cenários, o país manteria um crescimento anual da ordem de 4%. Se nada for feito, o aumento das emissões seria de
45%.

– Vamos estabilizar emissões e manter o crescimento: isso é uma coisa absolutamente inédita e considerada muito forte – afirma o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. – Lembre-se que a Índia está falando em triplicar emissões.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, os países desenvolvidos têm que reduzir até 2020 de 25% e 40% suas emissões de gasesestufa (com base no nível das emissões em 1990) para
que o aquecimento fique em 2 graus Celsius – uma elevação considerada administrável – e o planeta não sofra consequências mais graves.

Contrapartida dos ricos é fundamental

Para isso, as emissões mundiais em 2020 não podem ultrapassar a média de 450 partes por milhão (ppm). Segundo os especialistas, é imprescindível que, em Copenhague, os países acordem como chegar a esta meta.

– Os países desenvolvidos dizem que não vão fazer nada se nós não tivermos metas, e nós dizemos que não vamos fazer nada se eles não mostrarem o dinheiro. É um impasse – constata a secretária nacional de mudanças climáticas e qualidade ambiental, Suzana Kahn, que também é vice-presidente do grupo de mitigação do IPCC. – O que estamos propondo é mostrar o que somos capazes de fazer e, então, nos apropriarmos dos recursos: ‘eu faço isso, mas você me dá uma contrapartida’.

Em seu programa de rádio, Lula também falou da importância da contrapartida dos países ricos: – Nós queremos ver o que que é possível tirar em Copenhague, como proposta, sobretudo, do mundo desenvolvido, para que eles assumam compromissos, não apenas para diminuir as emissões, mas para que possam pagar pelo estrago que já fizeram ao planeta.

A contrapartida dos países desenvolvidos seria dada na forma de financiamentos para o Mecanismo de    Desenvolvimento Limpo (MDL) e a Rede de emissões de Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), mecanismos para contabilizar emissões evitadas; mas, sobretudo, por meio das Ações Nacionais Apropriadas de Mitigação (Anama), a criação de projetos específicos para áreas consideradas cruciais. Entre elas, o ministério destaca: redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, combate à desertificação, incentivo à ampliação do uso de etanol e outros biocombustíveis, estímulo ao uso do carvão vegetal de reflorestamento, resíduos.

– Não tenho valores específicos, mas cada um desses projetos estaria na ordem de US$ 2 bilhões a US$ 6 bilhões ao ano – calcula Minc.

Para o especialista em mudanças climáticas da Universidade de Brasília (UnB), Eduardo Viola, se o Brasil conseguir estabilizar suas emissões, teria uma das mais avançadas posições do mundo na matéria.

– Mas a expectativa de conseguir esse montante de recursos externos é totalmente irreal – ressalva o especialista. – Aponta contradição do discurso brasileiro. O Brasil fala muito de justiça para os pobres, mas
quer se apropriar da maioria dos recursos internacionais.

Esta não é uma proposta justa, em termos globais, afinal o Brasil não é um país pobre, é um país médio.

O que acontece com os pobres, se o Brasil pegar a maior parte do dinheiro? Ficar com entre US$ 10 e US$ 30 bilhões por ano é absolutamente delirante. Seria mais realista falar em algo entre US$ 1 e US$ 2 bilhões anuais para a totalidade de projetos que o país quer trabalhar.

Mesmo no cenário mais simples, de apenas reduzir o desmatamento da Amazônia, a tarefa não é tão simples como possa parecer. O próprio Minc reconhece as dificuldades.

– É claro que para cumprir metas tão ousadas temos que enfrentar uma outra discussão sobre como assumir um compromisso deste tamanho e combater, de fato o desmatamento.

Temos que ter uma política interna que não permita o desmatamento – afirma. – Mas vale lembrar que temos conseguido reduzir muito a destruição da floresta, com os menores índices registrados em 21 anos.

Queimadas geram maioria de emissões

De acordo com estimativas governamentais, cerca de 60% das emissões brasileiras de gases-estufa são provenientes das queimadas. O restante viria da indústria, da pecuária e da agricultura.

Para o coordenador da campanha de clima do Greenpeace, João Talocchi, a proposta é falha por não levar isso em consideração.

– O projeto fala em reduzir em 80% o desmatamento, mas não prepara o país para isso –  acredita. – Além disso, o desmatamento é o maior vetor sim, mas vale lembrar que os demais são os que têm maior potencial de
crescimento.

Segundo Talocchi, falta integração entre as diversas áreas do governo para uma abordagem mais realista do problema.

– Há um ano atrás foi uma guerra assumirmos metas internas e voluntárias; agora, estamos às vésperas de aprovar metas externas e obrigatórias.

É uma grande mudança na posição brasileira – diz Minc

*Roberta Jansen e Catarina Alencastro RIO e BRASÍLIA*

O governo brasileiro pretende assumir o compromisso externo de reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia até 2020, evitando a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de CO2, o principal gás do efeito estufa. Com ocumprimento do plano interno, o país estabilizaria as emissões em
relação aos valores de 2005 ? uma contribuição significativa no combate
ao aquecimento.

A meta foi anunciada ontem por Luiz Inácio Lula da Silva, em seu
programa de rádio Café com o presidente, e faz parte da proposta que o
Brasil pretende levar à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas, a ser realizada em dezembro, em Copenhague, onde os 192
países membros buscarão um novo acordo para substituir o Protocolo de
Kioto, que expira em 2012.

O número citado por Lula respalda a proposta do Ministério do Meio
Ambiente (MMA) para a reunião da ONU, que será apresentada oficialmente
hoje ao presidente e à qual O GLOBO teve acesso.

A proposta do MMA, ainda a ser aprovada em sua integridade, prevê também
metas mais ousadas ? na qual o Brasil estabilizaria suas emissões de
2020 em valores de 1994, com a redução do desmatamento também em outros
biomas, a ampliação do uso de biocombustível e um maior investimento em
hidroelétricas. Em ambos os cenários, o país manteria um crescimento
anual da ordem de 4%. Se nada for feito, o aumento das emissões seria de
45%.

? Vamos estabilizar emissões e manter o crescimento: isso é uma coisa
absolutamente inédita e considerada muito forte ? afirma o ministro do
Meio Ambiente, Carlos Minc. ? Lembre-se que a Índia está falando em
triplicar emissões.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da
ONU, os países desenvolvidos têm que reduzir até 2020 de 25% e 40% suas
emissões de gasesestufa (com base no nível das emissões em 1990) para
que o aquecimento fique em 2 graus Celsius ? uma elevação considerada
administrável ? e o planeta não sofra consequências mais graves

*Contrapartida dos ricos é fundamental*

Para isso, as emissões mundiais em 2020 não podem ultrapassar a média de
450 partes por milhão (ppm). Segundo os especialistas, é imprescindível
que, em Copenhague, os países acordem como chegar a esta meta.

? Os países desenvolvidos dizem que não vão fazer nada se nós não
tivermos metas, e nós dizemos que não vamos fazer nada se eles não
mostrarem o dinheiro. É um impasse ? constata a secretária nacional de
mudanças climáticas e qualidade ambiental, Suzana Kahn, que também é
vice-presidente do grupo de mitigação do IPCC. ? O que estamos propondo
é mostrar o que somos capazes de fazer e, então, nos apropriarmos dos
recursos: ?eu faço isso, mas você me dá uma contrapartida?.

Em seu programa de rádio, Lula também falou da importância da
contrapartida dos países ricos: ? Nós queremos ver o que que é possível
tirar em Copenhague, como proposta, sobretudo, do mundo desenvolvido,
para que eles assumam compromissos, não apenas para diminuir as
emissões, mas para que possam pagar pelo estrago que já fizeram ao planeta.

A contrapartida dos países desenvolvidos seria dada na forma de
financiamentos para o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e a Rede
de emissões de Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), mecanismos
para contabilizar emissões evitadas; mas, sobretudo, por meio das Ações
Nacionais Apropriadas de Mitigação (Anama), a criação de projetos
específicos para áreas consideradas cruciais. Entre elas, o ministério
destaca: redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, combate à
desertificação, incentivo à ampliação do uso de etanol e outros
biocombustíveis, estímulo ao uso do carvão vegetal de reflorestamento,
resíduos.

? Não tenho valores específicos, mas cada um desses projetos estaria na
ordem de US$ 2 bilhões a US$ 6 bilhões ao ano ? calcula Minc.

Para o especialista em mudanças climáticas da Universidade de Brasília
(UnB), Eduardo Viola, se o Brasil conseguir estabilizar suas emissões,
teria uma das mais avançadas posições do mundo na matéria.

? Mas a expectativa de conseguir esse montante de recursos externos é
totalmente irreal ? ressalva o especialista. ? Aponta contradição do
discurso brasileiro. O Brasil fala muito de justiça para os pobres, mas
quer se apropriar da maioria dos recursos internacionais.

Esta não é uma proposta justa, em termos globais, afinal o Brasil não é
um país pobre, é um país médio.

O que acontece com os pobres, se o Brasil pegar a maior parte do
dinheiro? Ficar com entre US$ 10 e US$ 30 bilhões por ano é
absolutamente delirante. Seria mais realista falar em algo entre US$ 1 e
US$ 2 bilhões anuais para a totalidade de projetos que o país quer
trabalhar.

Mesmo no cenário mais simples, de apenas reduzir o desmatamento da
Amazônia, a tarefa não é tão simples como possa parecer. O próprio Minc
reconhece as dificuldades.

? É claro que para cumprir metas tão ousadas temos que enfrentar uma
outra discussão sobre como assumir um compromisso deste tamanho e
combater, de fato o desmatamento.

Temos que ter uma política interna que não permita o desmatamento ?
afirma. ? Mas vale lembrar que temos conseguido reduzir muito a
destruição da floresta, com os menores índices registrados em 21 anos.

*Queimadas geram maioria de emissões*

De acordo com estimativas governamentais, cerca de 60% das emissões
brasileiras de gases-estufa são provenientes das queimadas. O restante
viria da indústria, da pecuária e da agricultura.

Para o coordenador da campanha de clima do Greenpeace, João Talocchi, a
proposta é falha por não levar isso em consideração.

? O projeto fala em reduzir em 80% o desmatamento, mas não prepara o
país para isso ? acredita. ? Além disso, o desmatamento é o maior vetor
sim, mas vale lembrar que os demais são os que têm maior potencial de
crescimento.

Segundo Talocchi, falta integração entre as diversas áreas do governo
para uma abordagem mais realista do problema.

? Há um ano atrás foi uma guerra assumirmos metas internas e
voluntárias; agora, estamos às vésperas de aprovar metas externas e
obrigatórias.

É uma grande mudança na posição brasileira ? diz Minc

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Nova droga será testada contra doença de Chagas

Posted on 01/10/2009. Filed under: Ciência |

Primeiro remédio em 40 anos atuaria até na fase crônica

Renato Grandelle

Quase 40 anos se passaram desde o lançamento dos últimos medicamentos contra a doença de Chagas. O tabu pode estar prestes a ser quebrado. A Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, em inglês) anunciou ontem, em Tóquio, o desenvolvimento de uma nova droga.

O Ravuconazol, desenvolvido em conjunto com a empresa japonesa Eisai, começará a ser testado em pacientes no ano que vem. Sua maior vantagem é atuar em adultos que já estão na fase crônica da doença – uma faixa com
intolerância aos remédios já existentes.

Os testes clínicos serão realizados no Brasil, Colômbia, México e Argentina. Os países estão entre os 21, todos latinoamericanos, em que a doença é considerada endêmica.

– O combate às formas de contágio melhoraram muito, mas continuamos com os medicamentos de 40 anos atrás – lamenta Isabela Ribeiro, coordenadora de projetos da DNDi para a América Latina.

– Queremos apresentar uma nova opção de tratamento.

Segundo ela, o Ravuconazol pode estar disponível em cinco anos. A proposta é oferecê-lo a preço de custo, o que atenderia à necessidade dos infectados – a maioria é pobre e vive na periferia.

Há, no Brasil, cerca de 3 milhões de pessoas com Chagas, e pelo menos um terço vai desenvolver as formas mais graves da enfermidade. Estima-se que a doença mate 14 mil pessoas por ano no mundo.

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Meta Obrigatória

Posted on 01/10/2009. Filed under: Ciência |

Brasil se comprometerá a reduzir queimadas em 80%, diz Minc

Janaína Figueiredo
Correspondente –  BUENOS AIRES –

O Brasil pretende assumir o compromisso – externo e obrigatório – na Conferência sobre Mudança Climática das Nações Unidas, que será realizada em dezembro, em Copenhague, de reduzir em cerca de 80% odesmatamento na Amazônia, até 2020. A posição do governo Lula foi antecipada ontem pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em seu segundo e último dia de participação na Convenção da ONU para o Combate à Desertificação (COP-9), que começou em 21 de setembro e termina sexta-feira.

– Será um compromisso do Brasil com o mundo – disse Minc, que, no próximo dia 13, se reunirá com o presidente Lula para definir outras metas a serem apresentadas pelo Brasil em Copenhague.

Corte é de 5 bilhões de toneladas de CO2

O ministro lembrou que atualmente o governo tem uma meta – interna e voluntária – de redução de 70% do desmatamento na Amazônia até 2017.

De acordo com cálculos do Ministério do Meio Ambiente, hoje o desmatamento representa de 60% a 64% das emissões brasileiras de gases que provocam o efeito estufa.

– Uma redução de 80% representa em torno de 5 bilhões de toneladas de gás carbônico, volume que é muito significativo e supera a soma do que foi comprometido pelos países que assinaram a declaração de Kyoto – destacou Minc, um dos mais aplaudidos no plenário de ontem.

Até agora o país vinha se recusando a adotar metas compulsórias. Se a proposta de Minc se confirmar, representa uma grande mudança de postura do governo para a reunião do clima.

O governo brasileiro também está elaborando metas para reduzir a taxa de crescimento das emissões totais, mas os números ainda não foram fechados. O trabalho está sendo realizado em parceria com o Ministério da Fazenda e com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

– No caso do Brasil, a ideia é diminuir o ritmo de crescimento das emissões. Já os países ricos devem se comprometer a reduzi-las – explicou.

Segundo Minc, o país também terá metas de redução das emissões de metano, além de novas políticas para o uso do solo. O ministro voltou a defender a necessidade de que países do sul, como Brasil e nações africanas, avancem na implementação de tecnologias que combatam problemas como a desertificação.

Para o Brasil, que tem a região semiárida mais habitada do planeta (onde vivem 30 milhões de pessoas), o problema da desertificação é grave.

O eixo do discurso de Minc ontem foi justamente a proposta de contabilizar a recuperação do solo e o armazenamento de carbono no solo para efeitos de meta de redução de emissões e créditos de carbono. Hoje, são contabilizadas apenas a redução das emissões diretas de combustível fóssil e do desmatamento: – Esse mecanismo, que foi respaldado pelo
plenário e será levado a Copenhague, servirá para combater a desertificação, que emite muito carbono.

Minc defendeu a idéia de que “ao recuperar uma região desértica com técnicas de plantio, recuperar microbacias, reflorestar, você está capturando e armazenando carbono no solo”.

– Desta maneira avançamos no combate à desertificação e, ao mesmo tempo, tratamos o problema dos imigrantes crônicos que, por culpa da desertificação, são jogados de um lado para o outro. Trata-se de um
problema climático e social – assegurou.

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Terapia genética cura daltonismo em macacos

Posted on 18/09/2009. Filed under: Ciência |

Estudo abre caminho para tratar doenças graves de visão

GAINESVILLE, Flórida

 A terapia genética pode ser a saída para corrigir o daltonismo, a incapacidade de diferenciar cores, principalmente o verde do vermelho. Cientistas das universidades de Washington e da Flórida usaram com sucesso a técnica para tratar o defeito genético — o mais comum em humanos — em dois macacos-de-cheiro. O estudo abre ainda caminho para solucionar outros problemas graves, como a degeneração macular relacionada à idade e a retinopatia diabética, que podem causar cegueira.

No estudo na edição online da revista “Nature”, os autores introduziram genes terapêuticos em células sensíveis à luz, localizadas na parte de trás dos olhos dos animais.

— Adicionamos sensibilidade para o vermelho às células cônicas, responsáveis pela visão das cores e visão central. E isso foi feito com segurança — disse William W. Hauswirth, da Universidade da Flórida.

Para levar os genes terapêuticos, foi usado um adenovírus inofensivo. Os genes produzem a proteína essencial para formar pigmentos sensíveis ao vermelho e verde. Na pesquisa, as equipes treinaram durante anos os macacos para que pudessem indicar quais as cores estavam vendo.

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Transplante de DNA para evitar doenças

Posted on 27/08/2009. Filed under: Ciência |

Estratégia semelhante é a base de polêmica técnica de reprodução assistida. Teste teve êxito

Cientistas deram um passo importante para evitar a transmissão de doenças hereditárias graças a uma técnica que troca genes entre óvulos e os usa para produzir embriões saudáveis. O método é semelhante à polêmica transferência de citoplasma, já usada experimentalmente para gerar bebês de proveta — neste caso, a troca serve para “rejuvenescer” óvulos de mulheres mais velhas que não conseguem engravidar naturalmente.

Crianças nascidas por esses métodos têm duas mães biológicas: uma é a dona do DNA nuclear; a outra entra com o citoplasma e o material genético mitocondrial. A nova técnica foi testada em macacos e pesquisadores estão convencidos de que ajudarão mulheres portadoras de defeitos no DNA mitocondrial a terem filhos saudáveis.

As mitocôndrias são as usinas de energia das células e seu DNA é passado só de mãe para filho. Mutações mitocondriais causam doenças em músculos e nervos, além de diabetes e câncer. No estudo da Universidade do Oregon, apresentado na “Nature”, cientistas pegaram o DNA do núcleo do óvulo de uma macaca com mutações hereditárias e o transferiram para o óvulo de uma doadora, cujo próprio DNA nuclear havia sido removido. Depois, fertilizaram o óvulo e o implantaram na dona do DNA nuclear. Com a técnica, conseguiram gerar três filhotes, sem defeito genético. O método precisará passar por análises éticas e de segurança antes de ser testado em seres humanos.

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Pílulas contra envelhecimento

Posted on 20/08/2009. Filed under: Ciência | Tags: |

EUA começam os primeiros testes com seres humanos de drogas do gênero

Nicholas Wade

Tem tudo para ser a mais definitiva das descobertas — como aproveitar todas as vantagens da dieta de restrição calórica, incluindo a menor incidência de doenças e o aumento da expectativa de vida, sem ter que comer menos. Apenas tome um remédio que “engana” o organismo, fazendo-o acreditar que está sendo submetido a tal dieta.

Parece bom demais para ser verdade e talvez seja mesmo. Ainda assim, tais drogas estão sendo testadas em seres humanos pela primeira vez. São pelo menos duas substâncias promissoras. Mesmo que não se mostrem eficazes, seu desenvolvimento representa uma nova esperança. Ao que tudo indica, o envelhecimento não é algo imutável e o corpo dispõe de recursos que podem ser mobilizados para resistir a doenças e evitar as adversidades da idade avançada.

O entusiasmo entre os especialistas em envelhecimento atingiu seu ápice nos últimos anos, com a aparente convergência de duas importantes linhas de pesquisa da área: alterações em genes únicos e a dieta conhecida como restrição calórica.

Nesta dieta, animais alimentados de forma saudável, mas com 30% menos calorias do que num regime normal, viveram mais e apresentaram menos doenças do que os submetidos a uma dieta normal em experiências feitas com camundongos e macacos.

As pessoas costumam considerar praticamente impossível manter tal dieta a longo prazo e a pesquisa manteve-se como uma curiosidade científica por décadas. Foi então anunciada a descoberta das alterações em um único gene, muitas delas responsáveis pela regulagem do crescimento corporal, do metabolismo energético e da reprodução. Aparentemente, tais mudanças apontam para o mesmo caminho bioquímico através do qual a redução calórica estende a expectativa de vida.

Se os especialistas conseguirem identificar tais caminhos, poderia ser possível desenvolver drogas capaz de ativá-los. Os principais candidatos são as drogas chamadas de ativadoras de sirtuína, capazes de copiar totalmente ou em parte os efeitos da restrição calórica. A principal delas é o resveratrol — substância presente de forma diluída na casca da uva e no vinho tinto.

O laboratório farmacêutico Sirtris, de Cambridge, está conduzindo testes clínicos com o resveratrol, em formulação especial, e de outras drogas que também ativam a sirtuína, mas que podem ser usada em doses bem baixas.

A formulação do resveratrol e uma das outras baseadas em outras químicas já passaram por testes de segurança e agora estão sendo testadas para diabetes e outras doenças. A FDA (a agência de drogas e alimentos dos EUA) não aprova drogas capazes de retardar o envelhecimento porque não se trata de doença.

Os cientistas acreditam que a restrição calórica funciona com a ativação das sirtuínas e uma droga que atue da mesma forma poderia oferecer os mesmos benefícios.

— Os resultados dos compostos da Sirtris são promissores e serão submetidos para publicação nos próximos meses — afirmou David Sinclair, da Escola de Medicina de Harvard, um dos responsáveis pela descoberta dos ativadores de sirtuína.

O Instituto Nacional do Envelhecimento dos EUA estabeleceu um programa para testar substâncias em três laboratórios. Entre os agentes candidatos estão o extrato de chá verde além de dois compostos de resveratrol.

No mês passado, resultados promissores na luta contra o envelhecimento foram apresentados pelo antifúngico rapamicina. Testes com camundongos revelaram que a droga foi capaz de aumentar significativamente sua expectativa de vida, embora afetasse o sistema imunológico.

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Vacina que vale por três

Posted on 18/08/2009. Filed under: Ciência |

Antônio Marinho

As infecções pela bactéria pneumococo estão entre as principais causas de internação e de morte de crianças até os cinco anos de idade. Mas a partir de 2010 elas estarão mais protegidas contra meningite bacteriana, pneumonia, otite média, bronquite e sinusite, doenças muitas vezes resistentes a antibióticos. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou ontem um acordo com o laboratório GlaxoSmithKline (GSK) para produzir uma vacina que inclui os dez sorotipos de pneumococo de maior prevalência no país. Hoje, essa proteção só está disponível em clínicas privadas, ao custo de R$250 a R$300 cada dose (são três mais um reforço) nos primeiros 18 meses.

A Streptococcus pneumoniae (o pneumococo) é responsável pela morte de um milhão de crianças com menos de 5 anos no mundo, a maioria nos países pobres e em desenvolvimento. Com a vacina fabricada pela Fiocruz (a meta é de 13 milhões de doses/ano) — que será oferecida gratuitamente no Programa Nacional de Imunizações (PNI) — a expectativa é de que pelo menos 1,5 mil mortes sejam evitadas todos os anos.

— Infecção de ouvido médio é uma das queixas mais frequentes em pediatria e leva ao uso de antibióticos — diz Paulo Gadelha, presidente da Fiocruz.

Hoje, no Brasil, existe a vacina conjugada 7-valente (da Wyeth) e há estudos para aprovação da pneumocócica conjugada 13-valente (do mesmo laboratório).

— Com a vacina 10-valente a cobertura é de 82,5%, cerca de 10% a mais que vacinas atuais — diz.

Além da boa cobertura e segurança, no acordo com a GSK a Fiocruz levou em conta a cooperação tecnológica:

— A técnica é semelhante à que Biomanguinhos usa para a Haemophilus influenzae tipo b. Isso facilita o trabalho com a GSK.

Um outro fator importante é o custo. A Fiocruz espera produzir a vacina por cerca de 11 (cerca de R$30), uma redução de 70% em relação ao valor pago em clínicas privadas.

Técnico no laboratório da Fiocruz, onde será fabricada a nova vacina contra pneumococo. Mais proteção na infância.

A médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), aprova a iniciativa da Fiocruz e do Ministério da Saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde, entre as crianças menores de 5 anos que morrem por doenças imunopreveníveis, 28% delas ocorrem devido a doenças pneumocócicas.

— O risco é maior no grupo que tem a doença antes do primeiro ano de vida. Portanto é fundamental que as crianças a partir dos dois meses sejam vacinadas — explica Isabella, que vai debater o tema na 11ª Jornada de Imunizações, de 26 a 29 de agosto, no Rio.

Parceria contra dengue e malária

O acordo Fiocruz e GSK inclui o desenvolvimento de vacinas contra dengue, febre amarela e malária. Farmanguinhos e Biomanguinhos, responsáveis respectivamente pela produção de fármacos e de imunobiológicos, já produzem 1,1 bilhão de unidades de remédios e 128 milhões de doses de vacinas a cada ano.

O anúncio da parceria com a GSK acontece poucos meses depois de a Fiocruz iniciar a produção do antirretroviral Efavirenz, indicado no tratamento da Aids, e semanas após o começo das atividades de encapsulamento do fosfato de oseltamivir, receitado no tratamento da influenza A (H1N1). E a produção da nova vacina contra pneumococo é um dos compromissos do Ministério da Saúde no período de 2008 a 2011 e visa à redução da mortalidade infantil, objetivo previsto nos Objetivos do Milênio preconizados pela ONU.

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