Mercados em dia de euforia e recordes

Posted on 16/10/2009. Filed under: Economia |

Com China e EUA, Bolsa de SP passa dos 66 mil pontos e dólar cai a R$1,70. Em NY, Dow fica acima de 10 mil

Felipe Frisch

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) rompeu ontem duas barreiras importantes no seu principal indicador, o Índice Bovespa (Ibovespa), que ultrapassou, no mesmo dia, os 65 mil e os 66 mil pontos. Já o dólar caiu para R$1,70. Num dia de otimismo global, o Ibovespa encerrou com ganho de 2,41%, aos 66.201 pontos, maior pontuação em 16 meses, desde 19 de junho do ano passado. Os ganhos foram puxados pelas ações da Vale e de siderúrgicas, em forte alta com o anúncio do aumento de 65% das importações de minério de ferro pela China, em setembro, batendo novo recorde histórico, de 64,55 milhões de toneladas. O Dow Jones, principal índice da Bolsa de Nova York, fechou acima dos dez mil pontos, o que não ocorria desde 3 de outubro de 2008.

No Brasil, as ações da Vale, que têm peso de 16% no Ibovespa, subiram 4,62%, figurando nas maiores valorizações entre os papéis que compõem o índice, ou seja, os mais negociados da Bolsa. Já as ações de Gerdau, Usiminas e CSN subiram mais de 5%, até mais de 6% no caso da Gerdau. Juntas, as três empresas têm peso de 11% no Ibovespa. A euforia também puxou o volume da Bolsa, que chegou a R$14,5 bilhões no dia. Mesmo descontando os R$2,43 bilhões dos contratos de opções de Ibovespa, que venciam ontem, o volume supera bastante a média recente em trono de R$5 bilhões diários.

— O mercado amanheceu forte com os dados da balança comercial chinesa e as commodities (matérias-primas) para cima. Os resultados (das empresas) estão vindo acima do esperado, o mercado está bem-humorado à beça — sintetizou o economista da Um Investimentos, Hersz Ferman, destacando ainda as ações de construtoras, em alta devido à expectativa de que o novo aporte de capital do governo na Caixa ajude o setor.

Diante da alta das commodities, especialmente as metálicas, o dólar caiu no mundo, com investidores vendendo a moeda americana para comprar metais. No Brasil, a moeda americana despencou 1,39%, em queda pelo quarto dia consecutivo, e foi a R$1,703, a cotação mais baixa desde setembro de 2008, apesar de o Banco Central (BC) ter comprado moeda no mercado à vista. No ano, a divisa já cai 27% e a Bolsa sobe 76%.

Os dados de outubro tornaram ainda mais evidente o trabalho do BC para tentar segurar — até agora, sem sucesso — a forte apreciação do real frente ao dólar. Nos nove primeiros dias úteis do mês, foi registrado o maior superávit do fluxo cambial (entrada e saída de moeda estrangeira) de 2009, considerando-se inclusive os meses fechados. No período, o BC fez sua maior compra de dólares no mercado à vista, superando agosto e setembro juntos. Entre os dias 1º e 9, foram US$5,383 bilhões, quase 90% do comprado nos dois meses anteriores (US$6,106 bilhões).

Esse montante já é maior que todos os movimentos mensais fechados desde que o BC voltou a comprar dólar, em maio. Só em 8 de outubro foram US$4,640 bilhões, enxugando a liquidez decorrente da oferta de ações do banco espanhol Santander. A operação também puxou o fluxo cambial, que, entre os dias 1º e 9, teve saldo positivo de US$3,725 bilhões, acima dos resultados fechados de todos os meses deste ano.

JPMorgan surpreende e lucra US$3,6 bi

A melhora nos dados de comércio exterior da China em setembro foi vista como mais um sinal de firmeza na recuperação da economia do país, o que influenciou as commodities. No total, as exportações chinesas caíram 15,2% em relação a setembro de 2008, e as importações, 3,5% — a menor queda em 11 meses. A Bolsa de Xangai subiu 1,17%, atingindo seu maior patamar em 14 meses. Seul avançou 1,25% e Hong Kong, 1,95%. Já o Nikkei, em Tóquio, recuou 0,16%.

Além da euforia chinesa — que ajuda especialmente a Bolsa brasileira, com peso de cerca de 50% em ações ligadas a matérias-primas —, o mercado de ações também repercutiu números positivos da economia americana e o início da safra de balanços das empresas do país, especialmente bancos, acima das expectativas.

Os investidores americanos ficaram otimistas com o resultado do banco JPMorgan Chase, que no terceiro trimestre lucrou US$3,6 bilhões, ou US$0,82 por ação. As projeções eram de US$0,52 por ação. No mesmo período de 2008 — o auge da crise financeira — o ganho foi de US$527 milhões.

Outros fatores positivos foram os dados de estoques e vendas no varejo. Os estoques empresariais caíram 1,5% em agosto, a maior queda desde dezembro e atingindo o menor nível desde dezembro de 2005. Esperava-se recuo de 0,9%. Já as vendas do varejo recuaram 1,5% em setembro, contra projeções de queda de 2,7%. Segundo analistas, o resultado deve-se ao fim do programa Dinheiro por Sucata: excluindo automóveis, as vendas subiram 0,5%.

O Dow Jones subiu ontem 1,47%, aos 10.015 pontos. Nasdaq e Standard&Poor’s também fecharam em alta, de 1,51% e 1,75%, respectivamente. Na Europa, o lucro do JPMorgan e os dados da China influenciaram o setor bancário e os papéis ligados a commodities. Londres avançou 1,98%, Frankfurt, 2,45%, e Paris, 2,14%.

COLABOROU Patrícia Duarte, com agências internacionais

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