Terra de talentos

Posted on 07/10/2009. Filed under: Esportes |

Cefan, na Avenida Brasil, acolherá promessas como Bárbara Leôncio

Claudio Nogueira

Hoje, quando sopra velinhas de seus 18 anos, a promissora velocista Bárbara da Silva Leôncio poderá ter boas notícias, depois de suas queixas pela falta de uma pista adequada, na volta da apresentação brasileira na disputa, em Copenhague, pela sede das Olimpíadas de 2016. Além de o prefeito Eduardo Paes tê-la autorizado a treinar na pista da Vila Olímpica do Mato Alto, em Jacarepaguá, Bárbara fará parte do núcleo do Programa de Jovens Talentos da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), que será inaugurado no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan), na Avenida Brasil.

— Bárbara já faz parte há pelo menos dois anos desse programa, mas não tinha onde treinar. Mas agora ela poderá usar o núcleo do Cefan, que será aberto em novembro, graças à parceria entre a Marinha e a CBAt, para atletas de talento das categorias juvenil (sub-19) e de menores (sub-17) — explicou Roberto Gesta de Mello, presidente da CBAt. — Na velocidade, o coordenador será Carlos Alberto Cavalheiro, que foi treinador de Robson Caetano e tem contatos internacionais. Mas cada atleta permanece vinculado ao treinador de origem. No caso dela, é o professor Paulo Servo.

Treinos em pista nos fundos do colégio

Segundo Gesta, há duas semanas os treinadores de jovens atletas estiveram reunidos com a cúpula da CBAt, em encontro em que foi traçada a estratégia de unir o treinador de origem ao especialista. Caso o atleta receba prêmio em dinheiro, o percentual irá para o treinador de origem. É possível que, pelos Jogos Mundiais Militares de 2011, alguns atletas se tornem desportistas da Marinha.

— Com as Forças Armadas engajadas nos Jogos Militares, a Marinha está reformando a pista e os alojamentos do Cefan, para cerca de cem atletas — afirmou Gesta, acrescentando que a entidade vai inaugurar em breve o CT de Uberlândia (MG), visando às Olimpíadas da Juventude-2010, em Cingapura. — Agora, a Bárbara ninguém pega mais. É aposta da CBAt, e o professor Servo tem grande talento para formar jovens.

Campeã mundial de menores (até 17 anos) dos 200m rasos, em 2007, na República Tcheca, e bronze no 4x100m no Mundial Juvenil (até 19 anos), em 2008, na Polônia, Bárbara fez um pedido em seu aniversário

— Um presente? Seria a pista. Agora vou poder voltar a treinar aqui (na Vila Olímpica do Mato Alto, Jacarepaguá). Talvez treinar no Engenhão — disse ela, achando que o Botafogo poderia ceder a pista auxiliar. — Mas gostaria mesmo de uma melhor estrutura para nós, atletas do Rio. Não temos de ir treinar em São Paulo ou nos Estados Unidos. Temos de ter estrutura no Rio. Isso tem de mudar.

A velocista treina diariamente numa pista de 80m de comprimento por três de largura, nos fundos da Escola Municipal Silveira Sampaio, em Curicica, Jacarepaguá. A Vila do Mato Alto, onde o grupo de Bárbara treinava há dois anos e meio, está em obras. O uso da pista de atletismo só foi liberado pelo prefeito, por causa das queixas da atleta. Bárbara foi descoberta pelo projeto social Lançar-se para o Futuro, do professor de educação física aposentado Paulo Servo e que movimenta cerca de 200 crianças e jovens. Os atletas estudam e treinam no colégio e se alimentam na sede do instituto, na casa do professor, que fica perto da escola. À tarde, depois de treinar e almoçar, Bárbara descansa, navega na internet ou se consulta com uma psicóloga. Aluna, à noite, do terceiro ano do Ensino Médio, na Escola Estadual Mahatma Gandhi, no complexo da Silveira Sampaio, Bárbara quer se formar em educação física e ter um projeto social.

Bárbara Leôncio, atleta de 14 anos que esteve na Dinamarca.

Bárbara Leôncio, atleta de 14 anos que esteve na Dinamarca.

— O professor diz que não é eterno e que temos de ficar no lugar dele — afirmou ela, que não tem patrocínio pessoal, mas sustenta a família com a ajuda de custo do projeto e apoio de um dos patrocinador da CBAt.

O convite para o vídeo e a apresentação em Copenhague surgiu há dois meses por meio do superintendente executivo de esportes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinicius Freire, e de Bernard Rajzman, presidente da Comissão de Atletas do COB.

— Fiquei muito feliz. Fiz bonito lá. Foi minha primeira vez num filme e fiquei tranquila. O Fernando Meirelles me deixou super calma. Eu tive falas em inglês e ensaiei com um tradutor do COB, o Matt (Ballard). Levamos uma semana gravando, das 5h às 17h — contou ela, estrela, mas sem estrelismos.

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