Medalha de ouro em comunicação

Posted on 01/10/2009. Filed under: Cidade, Rio de Janeiro |

Apresentação do Rio para a imprensa foi a mais concorrida; a de Chicago teve improvisos

Fernando Duarte e Luiz Ernesto Magalhães
Enviados especiais – COPENHAGUE –

O primeiro round da ofensiva de relações públicas das cidades candidatas a sede das Olimpíadas de 2016, na semana da votação do Comitê Olímpico Internacional (COI), terminou ontem com um excelente desempenho do Rio. Num dia em que Madri cancelou sua entrevista coletiva e Tóquio realizou um evento marcado por gafes técnicas, os cariocas – cuja apresentação foi a mais concorrida do dia na capital dinamarquesa –  viram Chicago, sua principal concorrente, embaralharse com o que pareceu uma combinação de improviso dos organizadores e falta de paciência de um dos principais nomes da cidade americana, o prefeito Richard Daley.

De quebra, os cariocas encaixaram outro golpe nos rivais ao anunciar que se queixaram ao COI pelo fato de Daley ter dito, durante evento em Chicago na semana passada, que o fato de o Brasil ser sede da Copa do Mundo 2014 não significava que a cidade teria competência para receber as Olimpíadas – os estatutos do comitê recomendam que representantes de candidaturas não façam comentários sobre os projetos concorrentes. A notícia pegou Daley e os americanos de surpresa durante a entrevista coletiva da candidatura, ontem, com o prefeito exibindo uma expressão furiosa ao ser perguntado duas vezes, por repórteres dos EUA, sobre a polêmica.

Mais lenha na fogueira veio no início da noite, quando a assessoria do COI divulgou nota em que confirmou o recebimento da queixa brasileira.

Embora chamasse de maneira geral a atenção das candidaturas para as regras do jogo, pareceu estar dando um pito sob medida em Chicago.

-Recebemos a queixa e não achamos necessário abrir investigação.

Mas pedimos às cidades candidatas que respeitem as regras e evitem fazer comentários que possam ser interpretados como críticos – disse Mark Adams, porta-voz do COI.

Daley recusou-se a comentar o assunto na entrevista coletiva dos americanos, que, ao contrário do evento carioca, parece ter sido organizada às pressas, ao ponto de tanto ele quanto o presidente da candidatura de Chicago, Pat Ryan, terem lido discursos para os jornalistas.

Enquanto o Rio usou o auditório do Hotel St Petri, quartel-general da candidatura em Copenhague, distribuindo aos jornalistas brindes numa bolsa do estilista Gilson Martins, os americanos se limitaram a montar um palco sobre a piscina interna de um outro hotel do Centro da cidade. Eles apresentaram apenas um painel com o símbolo da candidatura, em frente ao qual ficaram enfileirados atletas famosos ligados a Chicago, como o velocista Michael Johnson, bicampeão olímpico dos 200m e 400m, e o jogador de basquete David Robinson, medalha de ouro nas Olimpíadas de Barcelona (92) – sem serem devidamente apresentados, diga-se de passagem.

Na entrevista dos cariocas, a imprensa internacional concentrou suas perguntas na decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, de viajar para a Dinamarca para acompanhar a votação do COI, na sexta-feira.

– Nossa estratégia não muda absolutamente em coisa alguma com a vinda do presidente dos EUA – disse o presidente da Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman.

Já o governador Sérgio Cabral foi direto ao ponto.

– Todas as figuras públicas que virão aqui são valorizadas e respeitadas por nós, seja o Obama, o primeiroministro recém-eleito do Japão (Yukio Hatoyama), o primeiro-ministro espanhol (José Luis) Zapatero ou o rei Juan Carlos. O COI avalia uma série de itens, não apenas isso. Na verdade, o papel que era do Obama na campanha presidencial agora é nosso.

Fazemos o mesmo discurso dele: nos deem esta chance – disse.

Cabral: presidente da Fifa apoia Rio

Cabral afirmou ainda que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, que é membro do COI, teria dado uma declaração de apoio à candidatura do Rio. Confiante na vitória, o prefeito Eduardo Paes brincou: – O Rio disputa com espírito olímpico. Vou combinar com o prefeito de Madri de comer uma paella na Espanha quando tudo terminar.

Também queremos ir a Tóquio para comer um bom sushi. Vamos levar todos os prefeitos ao Rio para comer feijoada e beber caipirinha. E vamos visitar Chicago.

A primeira-dama americana, Michelle Obama, chega hoje à capital dinamarquesa disposta a jogar firme pela cidade. Em conversa com jornalistas na Casa Branca, ela afirmou: – É uma batalha e vamos ganhar. E, em nossa visão, não vamos perder essa oportunidade.

Ela também contou como foi sua conversa com a primeira-dama do Brasil, Marisa Letícia, semana passada, na cúpula do G-20 em Pittsburgh: – Nos sentamos lado a lado, num jantar, e eu a adoro. Eu disse,?vou te abraçar agora, e aí irei atrás de você em Copenhague?. E ela disse:  “(vou atrás de) você também!” Então, (a briga) é sem luvas.

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