Fundos ‘small caps’: risco e ganho turbinados

Posted on 24/08/2009. Filed under: Economia |

Valorização no ano chega a 62,70%, mas especialistas ainda acreditam em novas altas para as empresas

Juliana Rangel

A busca por papéis que perderam muito no ano passado e ainda não se beneficiaram totalmente da retomada dos investimentos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está jogando os holofotes sobre os fundos small caps. Essa alternativa de investimento exclui da carteira papéis de grandes empresas, como Petrobras, Vale, CSN, AmBev e Itaú Unibanco. Têm prioridade empresas com pouca representatividade, mas forte potencial de crescimento.

Até agora, os fundos small caps já acumulam alta de 62,70% no ano. A alta supera até mesmo a dos fundos Ibovespa ativos, que já ganharam 40,27% no período, de acordo com a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).

Para o diretor-executivo da área de gestão do BBDTVM, Carlos José da Costa André, os fundos small caps ainda têm a ganhar neste ano. Ele lembra que muitas das ações que compõem suas carteiras são de empresas que estrearam na Bolsa em 2007 e 2008.

— Como havia fluxo abundante de recursos, 70% das compras no lançamento das ações eram feitas por investidores estrangeiros. Quando houve a crise, eles foram forçados a sair e isso afetou o preço dessas ações — diz.

Papéis estão menos relacionados a ‘commodities’

Para ele, aos poucos o investidor deverá voltar ao Brasil. Em um primeiro momento, para as ações mais líquidas e, depois, para as small caps.

A sócia da Oren Investimentos Daniella Marques, está apostando mais no potencial de valorização dessas ações que no Ibovespa. Ela acredita que o Brasil retomará o crescimento econômico mais rapidamente que o restante do mundo, especialmente Europa e Estados Unidos. Por isso, prefere empresas cujo desempenho esteja mais relacionado à economia local.

— Hoje, 55% da composição do Ibovespa é de empresas ligadas a commodities, cujos preços são dependentes do crescimento global e não à expansão interna. Existem setores de grande representatividade no PIB (soma de bens e serviços) brasileiro que se beneficiarão da retomada da atividade econômica e que não estão espelhados no Ibovespa, como educação, saúde e tecnologia — diz.

DANIELLA MARQUES: aposta em companhias ligadas à economia local

DANIELLA MARQUES: aposta em companhias ligadas à economia local

Ela lembra que, até mesmo construção e varejo, que têm grandes chances de crescimento no ano, têm pesos inferiores a 5% e 10%, respectivamente, no Ibovespa. O índice é o principal referencial do mercado de ações.

O risco, no entanto, é que muitos desses papéis têm liquidez mais baixa, ou seja, menor volume de negociação. Desta forma, em um momento de crise acentuada, nem sempre é possível vender a ação com o preço e a velocidade esperados.

— Quando há grande nervosismo, como nos meses de setembro e novembro de 2008, a tendência é de que esses fundos sofram mais. Mas, em um momento positivo, eles têm maior potencial de valorização — diz o superintendente de investimentos do Santander Asset Management, Alexandre Silvério.

Segundo ele, é preciso que o investidor tenha em mente que esses fundos são mais alavancados. Silvério recomenda que a aplicação seja apenas uma parte do que o investidor destina à renda variável.

Mesmo sem ter um fundo específico de small caps, o gestor da Orbe Investimentos Fábio Carvalho busca oportunidades de ganhos nesses papéis:

— Elas podem voltar a níveis anteriores de valorização e até mesmo ultrapassar aqueles patamares, se estivermos falando de companhias sólidas.

Mas ele recomenda que o investidor evite entrar nesses papéis por conta própria, sem acompanhamento do gestor.

— As empresas mais líquidas são mais fáceis de acompanhar. Há bastantes relatórios disponíveis e muita informação circulando na mídia. As menores são mais difíceis.

O sucesso desses fundos, cuja captação líquida representa só 0,09% do patrimônio total da indústria, fez com que a Bovespa criasse um índice de Small Caps (SMLL). O indicador exclui ações de empresas que, juntas, representam mais de 85% da capitalização do mercado. Aos poucos, o SMLL está se tornando referência do segmento.

Alguns dos principais bancos de varejo já oferecem esse tipo de fundo, por meio de seus braços de investimento. Entre eles, BBDTVM, Santander Asset Management, HSBC e Bradesco.

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