Literatura de Machado de Assis em concerto

Posted on 20/08/2009. Filed under: Cultura, Segundo Caderno | Tags:, |

Fantasia musical baseada no livro ‘Dom Casmurro’ tem estreia carioca na sexta-feira

Eduardo Fradkin

AOrquestra Sinfônica Brasileira faz, nesta sexta-feira, a estreia carioca de uma obra que atrairá o interesse não só de quem gosta de música contemporânea, mas também dos amantes da literatura nacional. A fantasia musical “Olhos de Capitu”, composta por encomenda do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, onde foi apresentada no ano passado, centenário de Machado de Assis, é baseada no romance “Dom Casmurro”.

No Rio, ela ocupará o palco da Sala Cecília Meireles, cujo diretor, João Guilherme Ripper, também é o autor da música. Para ele, o concerto será um presente de aniversário que chegará no dia seguinte à data, já que ele completa 50 anos de idade amanhã.

— Eu quis extrair do livro os momentos em que Machado, por meio do personagem Bentinho, fala do fascínio dos olhos de Capitu. Mas não transformei o texto original em canções para não cometer o sacrilégio de interferir com o ritmo da narrativa, a retórica e a função de cada palavra que Machado botou no papel com maestria. Fiz questão de preservar a prosa dele, então escalei um ator-narrador para fazer o papel de Bentinho e recitar os trechos do livro sobre os quais fiz comentários musicais. A música sublinha o texto, às vezes explora o que está nas estrelinhas e, outras vezes, contradiz o que é dito, pois o próprio Machado deixa a entender que tudo pode ser o contrário do que está escrito — explica Ripper.

Ele conta que elaborou leitmotivs (temas musicais recorrentes) para os personagens.

— Bentinho tem um coral inspirado em Bach, que mostra esse lado religioso e moral dele. Capitu tem uma tema sinuoso, sensual. Há um momento em que os dois temas são superpostos. A dúvida que fica no ar de que Capitu possa ter traído Bentinho é expressa com uma dissonância musical — diz o compositor, que não foi o primeiro a musicar o romance, condensado numa ópera homônima por Ronaldo Miranda, estreada no Teatro Municipal de São Paulo em 1992.

Com cerca de 17 minutos, “Olhos de Capitu” é dividida em duas partes. Na segunda, a soprano francesa Michelle Canniccioni canta um texto de Ripper intitulado “Modinha para Machado”, sobre a concepção de Capitu. O concerto, com reprise no sábado, tem também as “Valsas nobres e sentimentais”, de Ravel, e “O chapéu de três pontas”, de De Falla.

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