Vacina que vale por três

Posted on 18/08/2009. Filed under: Ciência |

Antônio Marinho

As infecções pela bactéria pneumococo estão entre as principais causas de internação e de morte de crianças até os cinco anos de idade. Mas a partir de 2010 elas estarão mais protegidas contra meningite bacteriana, pneumonia, otite média, bronquite e sinusite, doenças muitas vezes resistentes a antibióticos. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou ontem um acordo com o laboratório GlaxoSmithKline (GSK) para produzir uma vacina que inclui os dez sorotipos de pneumococo de maior prevalência no país. Hoje, essa proteção só está disponível em clínicas privadas, ao custo de R$250 a R$300 cada dose (são três mais um reforço) nos primeiros 18 meses.

A Streptococcus pneumoniae (o pneumococo) é responsável pela morte de um milhão de crianças com menos de 5 anos no mundo, a maioria nos países pobres e em desenvolvimento. Com a vacina fabricada pela Fiocruz (a meta é de 13 milhões de doses/ano) — que será oferecida gratuitamente no Programa Nacional de Imunizações (PNI) — a expectativa é de que pelo menos 1,5 mil mortes sejam evitadas todos os anos.

— Infecção de ouvido médio é uma das queixas mais frequentes em pediatria e leva ao uso de antibióticos — diz Paulo Gadelha, presidente da Fiocruz.

Hoje, no Brasil, existe a vacina conjugada 7-valente (da Wyeth) e há estudos para aprovação da pneumocócica conjugada 13-valente (do mesmo laboratório).

— Com a vacina 10-valente a cobertura é de 82,5%, cerca de 10% a mais que vacinas atuais — diz.

Além da boa cobertura e segurança, no acordo com a GSK a Fiocruz levou em conta a cooperação tecnológica:

— A técnica é semelhante à que Biomanguinhos usa para a Haemophilus influenzae tipo b. Isso facilita o trabalho com a GSK.

Um outro fator importante é o custo. A Fiocruz espera produzir a vacina por cerca de 11 (cerca de R$30), uma redução de 70% em relação ao valor pago em clínicas privadas.

Técnico no laboratório da Fiocruz, onde será fabricada a nova vacina contra pneumococo. Mais proteção na infância.

A médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), aprova a iniciativa da Fiocruz e do Ministério da Saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde, entre as crianças menores de 5 anos que morrem por doenças imunopreveníveis, 28% delas ocorrem devido a doenças pneumocócicas.

— O risco é maior no grupo que tem a doença antes do primeiro ano de vida. Portanto é fundamental que as crianças a partir dos dois meses sejam vacinadas — explica Isabella, que vai debater o tema na 11ª Jornada de Imunizações, de 26 a 29 de agosto, no Rio.

Parceria contra dengue e malária

O acordo Fiocruz e GSK inclui o desenvolvimento de vacinas contra dengue, febre amarela e malária. Farmanguinhos e Biomanguinhos, responsáveis respectivamente pela produção de fármacos e de imunobiológicos, já produzem 1,1 bilhão de unidades de remédios e 128 milhões de doses de vacinas a cada ano.

O anúncio da parceria com a GSK acontece poucos meses depois de a Fiocruz iniciar a produção do antirretroviral Efavirenz, indicado no tratamento da Aids, e semanas após o começo das atividades de encapsulamento do fosfato de oseltamivir, receitado no tratamento da influenza A (H1N1). E a produção da nova vacina contra pneumococo é um dos compromissos do Ministério da Saúde no período de 2008 a 2011 e visa à redução da mortalidade infantil, objetivo previsto nos Objetivos do Milênio preconizados pela ONU.

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